1. A Frente AntiRacista (FAR - "Todos diferentes, Todos Iguais") lamenta profundamente os incidentes ocorridos no passado domingo, dia 8 de Março, no bairro em questão, e atribuem a responsabilidade do sucedido à postura do Governo e do Ministério da Administração Interna que insistem em ignorar as situações de degradação, gueto e conflito que lá são vividas pelas comunidades étnicas que habitam o bairro.
2. As situações de gueto e degradação são conhecidas de há muito, assim como os conflitos, e a existência de tráficos ilegais. Nada de isto é novo, aliás, à semelhança do que se passa, infelizmente, em muitos outros locais populacionais do território nacional, de que o exemplo mediático mais gritante (e gritado) foi o da Quinta da Fonte.
3. Tais acontecimentos têm por trás causas graves de exclusão social no campo laboral, da educação, da saúde, da habitação, da cultura, dos direitos humanos, cívicos e políticos.
4. Tais causas também são sobejamente conhecidas, e não se iludem com campanhas de propaganda em torno dos avanços legislativos em Portugal sobre estas matérias, nem com galas mediáticas a pretender provar a índole, genética, antiracista, antixenófoba e antidiscriminatória do povo português. A distância entre as palavras, mesmo quando exaradas em decretos-leis, e a sua aplicação na vida concreta é abissal.
5. A responsabilidade das forças policiais, se excederam os limites que lhes estavam atribuídas, devem ser apuradas e julgadas.
6. Mas a questão de fundo, é que estas situações não se resolvem, na sua essência, pelo recurso sistemático às forças policiais, mas pela eliminação das causas reais de exclusão social, que são a sua verdadeira origem.
Lisboa, 9 de Março de 2009
Frente Antiracista - FAR
"Todos Diferentes, Todos Iguais"








