A REVOLUÇÃO ESTÁ NA RUA

Qui, 04/22/2010 - 23:10 — Frente Anti-Racista

         A Revolução de Abril ficou para a história como a "Revolução dos Cravos", já que desde a primeira hora os militares envolvidos no golpe, colocaram no cano das espingardas aquela flor, numa demonstração do carácter pacífico que desde a primeira hora, norteou os seus propósitos.

         Durante a madrugada desse dia 25 de Abril, independentemente da movimentação das tropas sob o comando do posto instalado na Pontinha, várias acções foram desencadeadas de forma a neutralizar uma possível reacção das forças do regime. Assim foram tomados o Aeroporto de Lisboa, os estúdios da Radiotelevisão Portuguesa, o Rádio Clube Português e o comando da Legião Portuguesa.

         Sublinhe-se que alguns sectores afectos ao regime ainda tentaram resistir ao golpe militar, casos em Lisboa da GNR e DGS, cabendo a estes a "honra" de terem causado as únicas vítimas mortais da gloriosa manhã de 25 de Abril.

         O Regimento de Infantaria de Castelo Branco respondendo a um apelo do ministro da Defesa, Silva Cunha, tentou ainda sair rumo a Lisboa, mas acabou por desistir da iniciativa.

         Em contra partida de Lamego tropas do Centro de Operações Especiais, sairam rumo ao Porto, aderindo ao "Movimento dos Capitães".

         Em Lisboa o inspector Óscar Cardoso, da DGS, distribuiu armas aos agentes encurralados na sede da polícia política na rua António Maria Cardoso, e não teve dúvidas em mandar atirar a matar; resultado: quatro mortos (Fernando Gesteira, José Barneto, Fernando dos Reis e José Arruda) e dezenas de feridos. Anuladas pelos revoltosos as últimas resistências das forças afectas ao regime, o Governo de Marcello Caetano, rendeu-se ao general António de Spínola, ás 5 horas da tarde, no quartel do Carmo em Lisboa.

         A rendição de Marcello Caetano e membros do Governo, refugiados no quartel do Carmo em Lisboa, aconteceu ao fim da tarde deste mesmo dia. O derrube do regime conservador que desde 1933, se intitulava de "Estado Novo", acabou por cair "de velho", ás mãos de um amplo Movimento de oficiais das Forças Armadas cansados da decadente política do regime, onde a guerra colonial era cada dia mais ampla sepultura das juventudes de Portugal e colónias, e que constituiu factor determinante no degaste que se manifestou no seio militar.

         A adesão massiva do povo ao golpe militar, acabou por transforma-lo numa revolução eminentemente popular, que alterou profundamente o posicionamento de Portugal no mundo, e permitiu aos povos coloniais até então dominados, a almejada liberdade.

         Estavam finalmente caídos por terra os "senhores" que durante dezenas de anos foram os "donos" de milhões de portugueses e povos das colónias.

         Como primeira medida, os militares vitoriosos, nomeiam uma Junta de Salvação Nacional, para dirigir os destinos do país na fase inicial deste novo processo. A Junta de Salvação Nacional foi constituida pelos oficiais, Costa Gomes, António de Spínola, Rosa Coutinho, Jaime Silvério Marques, Pinheiro de Azevedo, Galvão de Melo e Diogo Neto, demonstrando pela sua composição, a imaturidade política dos militares revolucionários, ao incluírem na mesma estrutura dirigente, oficiais de reconhecido comportamento fascista, o que num futuro próximo veio a criar problemas ao "Movimento dos Capitães", e a evolução da Revolução em Portugal.

Henrique Mota
Membro do Conselho Fiscal da FAR
Presidente da Liga Popular Africana, Ex. Dirigente da Casa de Angola, Ex. Autarca no Concelho de Loures.


    

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